Parceiros

domingo, 12 de outubro de 2008

Mário Quintana





Há ilusões perdidas mas tão lindas que a gente
as vê como esses balõezinhos de cor que
nos escapam das mãos e desaparecem no céu...



*Meus queridos leitores, poetas e amigos,
achei esta preciosidade no blog (l'excessive),
de Liz Kasper,
e a trouxe para o comentário geral de vocês.
Bjsss

Rede


vai e vem
vem e vai
eu
você
no
balanço
da
rede,

o sol
explode
em nossos
plexos, sexos
latejam
gozo
gostoso
tem gosto,
de novo!

sábado, 11 de outubro de 2008

Ode ao lobo mau
























- Ei, você que vive inconseqüente
levando a dor por todos os cantos
aonde passa – tudo tem sua paga
nesta vida. Não estou falando em

pragas, maldições ou semelhantes,
mas em plantar e colher – ventania.

Narciso faminto por beleza
vê seu reflexo nas águas, e
deixa-se tragar por sua substância,
por uma miragem, pela aparência.

Destila seu veneno egoísta
pelo caminho, sem amor, só Ego.
Cuidado, sempre há o dia da caça,
é quando todas nós, solitárias

mulheres, nos encontramos na dor.
Seremos como uma apenas armando
o alçapão. Claro que em sua vaidade
nem conta com esta possibilidade.

Pode ser, mas certo é que as lágrimas
que derramamos, cairão dos seus
olhos em dobro, num desconserto.
Águas que preencherão o mar calmo

que todas nós sonhamos.

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

Conto Insólito - Olhos abertos
























Lenora sentiu um mal estar súbito e um grande desânimo, a única coisa em que pensou foi deitar e dormir.

No meio da noite, de repente, seus olhos se abrem.

Não há o que ver, a escuridão se apoderou da casa. Calafrios percorrem o seu corpo imóvel. Tentou gritar, mas sua voz não saia e sua boca não conseguia se mover. Nada se ouvia, silêncio total... ficou ali paralisada, na memória, os muitos sonhos (pesadelos!) em que teve esta mesma sensação, parecia contá-los, quantos foram?

Abertos no breu apenas os seus olhos podiam se mover. Um frio intenso subiu-lhe dos pés a cabeça enrijecendo todos os seus músculos, uma sensação incômoda e incomum. Sentiu-se uma pedra de gelo pesando toneladas! Com esforço fechou os olhos abrindo-os após minutos de angústia.

Foi então que pode perceber as milhões de estrelas que a cercavam. Seu corpo cedendo a falta de gravidade ficou leve como uma pluma, embora ainda sentisse o frio e a imobilidade.

Corpos celestes, de variadas cores e formas se moviam juntando-se a um único ponto de luz e o ponto crescia a sua frente, até que todo o espaço profundo se encheu de luz. Na luz corpos surgiam do nada, corpos de luz a envolviam com seu calor, sua paz, sua calma e aos poucos seu corpo dançava nos céus, nos vários céus... não havia diferença, tudo era mesmo uma coisa só, uma vida que permanece e continua, contínua, para sempre...

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Paixão






como um cão
saliva
diante
da carne e
do sangue,

vivo
esta fome
voraz
de
nós

domingo, 21 de setembro de 2008

Adolfo Payés


O querido poeta, pintor e desenhista,
Adolfo Payés, me dedicou este poema e,
fico muito emocionada com ele não só por
ser uma admiradora de sua obra, mas,
principalmente, pela admiração que tenho
por este verdadeiro GUERREIRO salvadorenho
que apesar de toda dor
não deixa de nos brindar com seus lindos
versos, sua ternura e sensibilidade.
Gracias meu querido amigo, muchas gracias...


"este es el poema que de dedico con mucho amor, y respeto", Adolfo Payés

OH Brasileña


Que belleza de idioma
Tus poemas
Tus escritos
Tus reflexiones
Tus imágenes hechos
Versos

Narraciones que nos hacen navegar
A lo más profundo del alma amazónica

OH Brasileña
Lengua que me alimenta leyendo
Cada día tus retoños literarios
Tus aportes
Tus caricias de lectura
Presencia autentica mujer
Hecho lienzo

A vos Cynthia Lopes
Cântico das Palavras
Tantas e tão lindas formas de expressão
Obrigado a tu presencia

saludos fraternos...

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Painéis de Portinari

















pés que se misturam ao barro
e no solo lançam suas raízes.
mãos cruas, moldadas pelo labor.
peles envelhecidas, secas.

planos recortados, pintados
em variados tons terra, pálidos
verdes e estes cinzas das sombras
dos corpos curvados, dobrados

sobre si mesmos, olhos baixos.
suaves azuis em contraponto,
pinceladas de blues na paisagem.

domingo, 31 de agosto de 2008

No Olho do Furacão












Estou no olho do furacão, vejo
a tempestade se transformando
em lágrimas de surpresa e espanto.
Caos diante do dia furioso,

dentro da tenebrosa noite,
onde construo teias que se alimentam
de outras tantas, sempre relações
espessas, estreitas e profundas.

A cabeça entontece, desmaia.
Tudo se move em furiosos círculos
que me tiram o chão. Olhos baços,
não há como resistir, estou entregue,

aos sonhos, calmaria e convulsões,
frente ao universo, nada mais ouço,
silêncio... olhos de tigre que se abrem!

Transformações se processam...

domingo, 24 de agosto de 2008

A cidade e suas cruzes


Outras páginas - Opinião - leia o texto na íntegra

terça-feira, 19 de agosto de 2008

Bilhete


Hoje, especialmente esta noite, quente e agradável, a lua imensa parecia um enorme balão ao alcance das minhas mãos. Imagine, bastava esticar as mãos e segurar a lua! Aquela enorme bola amarela e com ela rolar pela areia da praia. E, apesar da enorme lua, do mar só podia ver sua espuma e ouvir o barulho suave das ondas, que vem e vão, vão e vem... e neste mirar o mar pressenti seus olhos negros, no escuro, a me observar sentindo a maresia me envolver e sussurrar... vem, vem... uma voz tão doce! São os versos da minha fantasia.
Perto mesmo homens e mulheres suados, crianças jogando voley e a vida passeando pelo calçadão. Voltei a minha aeróbica cantando uma canção antiga, uma homenagem a Dorival Caymmi:
"É doce morrer no mar
Nas ondas verdes do mar
É doce morrer no mar
Nas ondas verdes do mar..."

domingo, 3 de agosto de 2008

Gatos














lua cheia, telhados
patinhas dançam
em algazarra:

preto no branco
branco no preto
despudorados!

lamber de línguas
enganchadas:
prazer de gatos

(Publicado na Antologia de Poetas Contemporâneos nº 50 - CBJE)

The Cure

The Love Cats

Outono...










chega
com
seu
manto:

sereno.

o vento
desnuda
árvores

domingo, 27 de julho de 2008

DANAE



Inspirada na tela de Gustav Klimt


Insinuada, sugerida... em suas formas
curvilíneas, redondas, muito sensuais.
Na tela de Klimt esta mulher sai
das sombras, dos subterrâneos, cumprindo

seu destino – dela nasce a palavra
que fértil fecunda a terra. Dobrada
sobre si mesma mostra seu seio doce,
rosto suave, sua cabeleira ruiva.

Em primeiro plano, cochas torneadas.
Nua e cálida, dorme ao colo do pintor
que a tinge de nuances. Danae, é seu

vértice, ápice, no ponto mais alto
da pirâmide - nela esta vertigem,
perda dos sentidos, sonhos, prazeres,

em que todos transigem e se curvam.

(Em seu seio róseo chuva de ouro e sêmen)

domingo, 13 de julho de 2008

A caminho da lua



Estamos indo em direção à lua,
branca, cheia, nua e iluminada. Anoitece
e no céu azul-marinho, sobrevinda,
mais e mais brilha. No rasto da luz
seguimos: eu, meu pássaro e sua bússula.
Esfera que reluz no fim do túnel
azul da noite, para ela, no silêncio
voo sentindo a leve brisa das asas
planas neste espaço vazio, profundo.
Aconselho àqueles que possam sonhar
a navegar, em direção ao canhão
lunar deixando alumiar este palco
noturno, de tranqüilidade e paz.

sexta-feira, 4 de julho de 2008

O BOTO








lá nas margens do Amazonas,
seja verdade ou folclore,
sempre se contam histórias
deste cetáceo matreiro.

manhoso e sempre ardiloso,
em noites de arrasta-pé,
sai das águas transformado
num belo e fogoso rapaz.

com os olhos sedutores
vai conquistando as meninas
que cedem aos seus encantos.

seja folclore ou verdade,
só sei que após nove meses
os inocentes nascem:

- todos filhos do boto!

segunda-feira, 30 de junho de 2008

Minha homenagem a todos os poetas e visitantes deste meu Cântico

CARINHOSO - Música de Pixinguinha&João de Barro - Interpretada por:
Marisa Monte e Paulinho da Viola



sexta-feira, 27 de junho de 2008

A PONTE








uma via de mão dupla
sem acostamento
a mureta estreita
tudo muito simples:
soltar as amarras
ou
deixar cair a pedra?

(Publicado na Antologia de Poetas Contemporâneos nº 48 - CBJE)

domingo, 22 de junho de 2008

Rio

Corre para o mar o rio.
Tudo se move. Esta vida
como fonte, jorra e cria.

Corre para o mar o rio...
vida que desfralda velas,
ventos que deslocam pás

de moinhos imaginários.

Corre para o mar o rio
sinuoso, do manancial
às vazantes, rio pro mar.

Re-construindo

Enquanto você não volta
procuro vestígios seus
envolta em redes, delírios.
Componho no estio – canções,

músicas que me apascentem
enquanto você não volta.
Leio e releio antigos poemas,
vejo seus quadros de cores

fortes, desenhos simétricos.
São rostos, lembranças, portos,
pequenos ninhos, ofertas,
onde busco seu sorriso:

reconstruído com cuidado
enquanto você não volta.

sábado, 14 de junho de 2008

Amor à distância

um ponto
a outro
um quase nada
um muito tudo
igualmente
profundo








sol e este calor
verão de desejos
janelas abertas

sexta-feira, 13 de junho de 2008

Presságio...

rede no mar
noite chegando:
barco à deriva
neblina e maresia

Liberdade...

o azul do olhar
uma nova realidade,
um barco nas águas
sem amarras

domingo, 1 de junho de 2008

Déjà vu

















Lado escuro da lua, nosso canto obscuro.
Recanto silencioso e desconhecido,
antro emaranhado do meu desencanto.
Um triste acalanto que estilhaça
grandes sonhos – mares, navios e rochedos.

Nosso monótono “déjà vu”. Suponho
a necessidade deste tanto sombrio
para nos reconhecermos criaturas,
portanto, sejamos humildes! Permitiu
Deus o pântano, para vermos o tanto

que merecemos.

domingo, 25 de maio de 2008

Oriental





Inspirado no filme “O Clã das Adagas Voadoras”




Uma rara flor do Oriente.
Delicados gestos, lenços
e cores, dança guiada
pelo som de sementes
atiradas ao acaso.

A rosa desabrocha
para olhos de ressaca.
Cega a flor segue o ritmo
de seus precisos passos
sem perceber a serpente,

que sem constrangimento
arma o bote desfazendo
laços, expondo o marfim
das suas pétalas, pele.
Ah, serpente que corrompe

tudo aquilo em que toca!
Da aparência frágil, os
espinhos – adagas, que
voam rasgando o denso
coração das trevas.

(Publicado na Antologia de Poetas Contemporâneos nº 49 - CBJE)

domingo, 18 de maio de 2008

Ventos





Deixei voar o xale-seda.
Foi levado pelo vento
à beira-mar. Sombra rosa,
rodopiando, dançando

à toa. Baila assumindo
as belas formas do tempo,
até cair no mar, vasto mar,
que nos separa por milhas.

Nos encontramos em versos
e no silêncio das bocas,
das mãos que nunca se tocam.

Ondas na arrebentação.
Nunca, é muito tempo? Talvez...
- temos uma chance, então.

domingo, 11 de maio de 2008

Mães





Às minhas amigas mães (ou não!): toda criança é como uma primeira estrela no
céu da benção e da esperança, e todas vocês, são universo fecundo a
distribuir com humildade e alegria o pólen da promessa para toda a
humanidade. Um lindo dia para todas, irmãs, amigas, mães, madrinhas, enfim mulheres, portais do mundo!!!!!!!






Primeira Estrela

Luli e Lucina

na porta do mundo
tem uma roseira
que flora e chora
não tem ventania
que apague a candeia
do sentimento

no pé do vento
tem uma cantiga
que quando sopra
roda a menina
derrama a alegria
realça o dia

*toda criança que nasce
parece a primeira estrela
amor promessa
brilhando no céu do tempo*

quinta-feira, 8 de maio de 2008

Deserto...

sol do meio-dia
mergulho na imensidão
perdendo as forças

Infância...

jabuticabas
crianças nas árvores:
olhares doces