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terça-feira, 16 de maio de 2017

Antigo querer

lembrar... buscar nas teias
da memória um grande amor
é assim: um fogo que arde
e consome, uma nova dor
que insiste em fi(n)car em mim.

abrir a gaiola do passado e
permanecer lá dentro, presa,
no mesmo lamento sabendo
que a porta está sempre
aberta, basta voar...

quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

UMA QUALQUER




à Marcha das Vadias

eu sou aquela que encanta, brilha, dança.
eu sou aquela que chora, briga, banca.
que vai à luta, xinga, sobe nas tamancas.

sou a vadia, que se criou nas calçadas,
no desperdício das insones madrugadas,
dias de ócio, tardes de amor, noites de trampo.

sou uma entre muitas que iluminam os palcos
e não leva pra casa, ninguém me desanca:
sou aquela que sabe rodar a baiana.

LEMINSKIANA




a vida é bela,
em tese.
apesar dos revezes
que ela
às vezes revele.

sexta-feira, 23 de setembro de 2016

bêbada bomba cardíaca



balão abandonado
rolado pelo chão
sem qualquer
utilidade

chutado pelas crianças
que o veem sem dono
de um lado pro outro
sem direção

coração jogado
na sarjeta das ruas
sozinho, furado
nem pra bola

tem mais alguma serventia!

Do meu novo livro: Amor em tempo de esbórnia 


sexta-feira, 24 de junho de 2016

Da necessidade do sonho



precisa-se de poetas
para escolher palavras
e dispô-las em versos
como vinho raro e precioso

precisa-se de poetas
 para sorver as madrugadas
e fazer versos a mulher lua
 que se mostra à janela

precisa-se de poetas
 para despir os amantes
 e calar as bocas com beijos
 apaixonados e ardentes

precisa-se de poetas
 para com rimas raras
enfrentar a força bruta
 dos algozes desta vida

precisa-se de poetas
 para irmos as ruas
 com nossas bandeiras
 hasteadas ofertando poemas

 precisa-se de poetas
 para que neste mundo cinza
 possa se instalar um arco-íris
                                             da mais viva poesia

terça-feira, 3 de maio de 2016

peçonha


chicote na carne
(sal grosso e sol
pra curar as feridas)

não me venha falar
de verdades quando
sabemos ser tudo mentira

agora morde a carne
esta posta de sangue
e chaga aberta

não olhe pra mim
com estes olhos de pecado
sei bem que me tens ojeriza

agora pisa a carne
esta podridão fedorenta
esse estrume

e não me abra a boca
pra falar de sentimentos
sei que por mim se sentes nada
é muito

joga a carne no lixo
mas antes a moa e ponha
o teu veneno

pois é isso que tens por dentro